A Fernanda inicia seu texto: "Livros são presentes inestimáveis", e eu retomo a ideia para afirmar: Encontrar pessoas como ela é um presente inestimável!
Você chega em um lugar novo, estranho e encontra pessoas que parecem desde sempre conhecidas. Não é sempre que se tem essa sorte.
Sensibilíssima e de uma alegria que contagia ela me presenteou com essa linda impressão sobre a minha HQ "Preto no preto, Branco no branco".
Esse é o link para o seu blog: http://ilumivarias.blogspot.com.br/
"Das leituras das linhas de uma
HQ
por Fernanda Lunkes
Livros
são presentes inestimáveis. Sempre me alegro quando recebo livros. E, por estes
dias, tive alegrias ainda maiores: além de ganhar de presente um livro do recém
e já estimado colega Guilherme Silveira, descubro que se trata de uma obra de
sua autoria. Mais ainda: além de pesquisador, Guilherme é um artista. Um
artista das HQs. E isso, para mim, é imenso.
Houve
um período em que vivi para ler HQs. Meus acessos eram precários, portanto lia
o que aparecia: quadrinhos que minha mãe comprava, quadrinhos que pegava
emprestado de uma vizinha, alguns quadrinhos da escola, até mesmo aqueles que
qualquer figura generosa deixava à vista para que leitores vorazes como eu
pudessem lê-los.
Mas
fazia muito tempo que não lia HQs. Anos dedicados a outros projetos e outras
leituras sequestraram-me de alguns divertimentos. É bom quando constatamos que
a passagem dos dias não diminui as paixões, e que às vezes podemos encontrá-las
com maior maturidade por conta de outras vivências. Conhecer o Guilherme foi
uma excelente oportunidade de retomar conversas sobre quadrinhos, autores,
histórias. Guilherme é um competente e apaixonado leitor de quadrinhos e
ouvi-lo significa, também, aprender.
Depois
de me emprestar “Guerra de ideias”, de Flavio Calazans, Guilherme me entrega o
seu livro, sem dedicatória, pela qual irei pacientemente esperar. Um livro
bonito, todo em preto e branco, cujo título coloca em pauta tal escolha: “Preto
no preto branco no branco”.
Minha
interpretação a partir da leitura da HQ tomou duas direções. Uma delas aponta
para o que na obra tem a ver com nossa questão subjetiva, em torno de nossas
demandas e nossas escolhas frente às questões mais imediatas e mais amplas. A
obra de Guilherme produziu interrogações em torno de minhas condutas e de meus processos
de escolhas, sobretudo nestes últimos anos. Não interpreto que há moralidade na
obra, e sim um jogo de espelho no qual o leitor vê seu próprio reflexo, cuja
eficácia se faz na escolha estética pelas linhas, que trabalham com a (não)
repetibilidade.
Uma
outra direção em minha leitura volta-se ao processo de criação que envolve toda
obra. Guilherme consegue, com sua obra, traçar uma criativa metalinguagem,
optando por elementos que lhe marcam. As linhas, que formam uma de suas
tatuagens, também comparecem neste trabalho. Repetitivo? De modo algum. Quando
lhe perguntam sobre a tatuagem em seu seu braço (e geralmente são alunos
curiosos por descobrir o que o motivou a tal escolha), Guilherme, sorrindo, explica
que se trata de uma alusão ao álbum do Joy Division, Unknown Pleasures. Já em sua HQ, Guilherme faz com que as linhas
atendam às suas ideias. Se a linha, em seus traços contínuos, é uma das mais fortes
metáforas sobre a jornada existencial, Guilherme a retoma mostrando que, em um
conjunto, as linhas podem formar um quadro único e irrepetível. Em conversa
sobre sua obra, Guilherme contou que foi uma opção desenhar as linhas sem o uso
de recursos como régua ou computador. Cada linha, a partir do que foi construído
nos desenhos, é exclusiva, assim como cada conjunto que forma com as demais.
Não é, de fato, uma bela metáfora sobre cada uma de nossas vidas?"
É claro que amei o texto! Ver sua obra inspirando espontaneamente a criação de um novo texto (impressões, poesias, desenhos, etc) é muito estimulante!
Isso ocorreu também na resenha de Alexandre Linck, para quem enviei a HQ com intensão de resenha, mas que me devolveu junto com essa resenha um desenho livremente inspirado pela HQ! Pode ser visto nessa postagem AQUI.
Abraços!
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